Doença de Niemann-Pick

12790952_1168800279796926_2375864391098939272_n[1]No dia 29 de fevereiro de 2016, Dia Internacional da Doença Rara – Rare Disease Day – encontrei na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, a senhora Rejane Sant’ Ana Machado e a simpática filha Aléxi, a qual o diagnóstico da Doença de Niemann-Pick. Como é entidade rara e o diagnóstico feito tardiamente, me propus a ajudar a Associação Brasileira de Niemann-Pick, da qual a senhora Rejane é Presidente, no sentido de divulgar e conscientizar da existência dessa entidade através dos sinais cardinais que sugerem a hipótese diagnóstica da Doença de Niemann-Pick, para que essas crianças possam ser tratadas precocemente. A foto mostrada nessa notícia foi devidamente autorizada pela senhora Rejane Sant’Ana Machado.

Informações Relativas à Doença de Niemann Pick A doença rara denominada Niemann-Pick foi identificada pelo pediatra alemão Albert Niemann e pelo patologista também alemão Ludwig Pick. Ela pode se apresentar em três tipos diferentes A, B e C, sendo que o Tipo C é o que tem maior incidência de casos no mundo. A Niemann-Pick é uma condição genética ainda sem cura nos três tipos de apresentação. Causa e características da Niemann-Pick tipo C A Niemann-Pick Tipo C (NP C) é causada, na maioria dos casos, por mutações genéticas do gene NPC1, situado no cromossomo 18 e, com muito menos frequência, no gene NPC2 situado no cromossomo 14. Ela se caracteriza pelo acúmulo de colesterol e de outras moléculas gordurosas (lipídios) dentro das células do corpo. Decorre de um erro genético e costuma ser chamada de Alzheimer Infantil. É também conhecida como doença “pan-étnica”, o que significa que pode ocorrer em todas as populações independentemente da etnia. Na NP C, quantidades nocivas de colesterol se acumulam no fígado e no baço, sendo que no cérebro, ocorre também o acúmulo de outros lipídios, provocando a degeneração dos neurônios, o que às vezes provoca severo déficit cognitivo e distúrbios mentais. A raridade da doença faz com que a incidência estimada de casos seja de 01 a cada 120 mil pessoas em todo o mundo. Pelo fato de provocar degeneração do sistema nervoso, o paciente está sujeito a importante comprometimento neurológico. Os sintomas que caracterizam a NP C são: • aumento do fígado e do baço (hepatoesplenomegalia); • pele de aspecto amarelado após o nascimento (icterícia neonatal); • infiltrados pulmonares; • dificuldade de movimentar os olhos para cima e para baixo voluntariamente (paralisia supranuclear do olhar vertical); • falta de controle muscular (ataxia); • declínio intelectual progressivo que pode levar à demência (disfunção cognitiva) • dificuldade para engolir alimentos e até saliva (disfagia); • fala arrastada e irregular, com dificuldade de articulação de palavras (disartria); • espasmos e movimentos repetitivos devido a contrações musculares prolongadas (distonia); • falta de controle muscular com fraqueza muscular que leva a quedas (cataplexia gelástica); • convulsões de difícil controle. Esses sintomas geralmente começam a aparecer da metade até o final da infância. No entanto, há casos em que eles surgem logo após o nascimento, na adolescência e até na idade adulta. Sendo a NP C uma condição genética, as pessoas portadoras já nascem com a doença, uma vez que herdam o gene defeituoso dos genitores (pai e mãe), mesmo que eles não apresentem a enfermidade. Quem desenvolve a doença herdou duas cópias do gene defeituoso: uma do pai e outra da mãe. A NP C é, portanto, uma condição recessiva, ou seja, para a doença se manifestar é necessário que a pessoa receba o gene do pai e da mãe, e não apenas de um deles. Se ambos os pais forem portadores do gene NP C defeituoso, a chance de que os filhos gerados por eles herdem os genes dos dois (pai e mãe) é de 1 para 4. Isso significa que as chances de nascer um filho com a doença é de 25%. Dessa forma, uma família pode ter mais de um filho com a doença ou ter apenas um. A pessoa que possui apenas uma cópia do gene defeituoso é chamada de portador heterozigoto e não irá desenvolver a doença. No caso de apenas o pai ou a mãe ter passado o gene defeituoso a um filho, significa que essa pessoa será portadora do gene, mas não desenvolverá a NP C. Por outro lado, pode acontecer que um dos filhos herde somente os genes normais dos pais e, nesse caso, essa pessoa não será portadora nem desenvolverá a doença. Mas, se ambos os pais repassarem o gene defeituoso para a criança, ela desenvolverá a doença mais cedo ou mais tarde. Para comprovação do diagnóstico da NP C, é necessário realizar primeiramente a biópsia de pele (teste de Filipin) e, para confirmação do diagnóstico citoquímico, é feito o teste genético. O Tipo C da doença Niemann Pick é o mais incidente no mundo. O único tratamento aprovado pelas agências reguladoras, em todo o mundo, para o tratamento da NP C é o Miglustate (Zavesca), chamado de Terapia de Redução de Substrato (TRS). Essa terapia consegue estabilizar alguns dos efeitos negativos da doença, mas ainda não possibilita a cura. Outras terapias estão sendo pesquisadas e experimentadas em todo o mundo na busca da cura dessa devastadora e implacável doença. A terapia com a ciclodextrina é uma delas e já sendo administrada em alguns países do mundo, em humanos, com resultados promissores. Ainda não está oficialmente aprovada mundialmente pelas agências reguladoras, mas já está sendo realizado, nos Estados Unidos um estudo clínico liderado pelo National Institutes of Health para comprovar a eficácia da terapia também em humanos. Causa e características da Niemann-Pick Tipo A e Tipo B Como dito anteriormente, a doença Niemann Pick pode se apresentar também no Tipo A e no tipo B. A Niemann- Pick Tipo A não permite sobrevida além dos cinco anos de existência, uma vez que as crianças nascidas com esse tipo da doença não conseguem resistir aos seus efeitos extremamente danosos. A principal característica da NP Tipo A é que ela afeta o cérebro. Tanto a NP Tipo A como a NP Tipo B, são também doenças de depósito lisossômico cujas mutações genéticas se encontram no cromossomo 11. As exatas e significativas razões para a diferença entre tipo A e tipo B ainda não têm explicação. A severidade maior ou menor na apresentação da doença decorre do tipo de mutação que a provoca. Os dois tipos A e B são também herdados do pai e da mãe, sendo, portanto, o padrão de herança, também, autossômico recessivo. A enzima afetada pelas mutações genéticas é chamada de esfingomieliase ácida (ASM) e seu trabalho é desintegrar uma substância gordurosa, ou seja, um lipídio, chamado esfingomielina (SM), o que provoca todos os comprometimentos que a doença provoca. A Niemann Pick Tipo B é muito menos incidente que a Tipo C. Segundo dados do Niemann Pick Disease Group UK, no Reino Unido, a NP Tipo B apresenta ocorrência de 1: 500 000 000 habitantes. É considerada uma doença raríssima. Entretanto, diferentemente da NP Tipo A, a maioria das crianças diagnosticadas com NP Tipo B chegam à adolescência e à idade adulta ainda que com problemas de saúde. Em poucos casos esses problemas podem afetar o cérebro. O diagnóstico da NP Tipo B é feito através da medição da atividade (esfingomielinase ácida) ASM nas células brancas do sangue. Um teste de DNA pode diagnosticar se a pessoa tem a doença. Os sintomas que caracterizam a NP Tipo B são: •aumento do fígado e do baço, ou seja, hepatoesplenomegalia, provocando alargamento abdominal muito grande na infância; •comprometimento neurológico ( em apenas 10% dos casos); •problemas respiratórios em algum momento da vida; •aumento do colesterol que pode provocar doenças cárdiovasculares; •doenças ósseas em alguns pacientes Como acontece na maioria das doenças, o diagnóstico precoce é fundamental para a prevenção e tratamento dos sintomas. Recentemente, iniciaram-se estudos clínicos para desenvolvimento de uma terapia de reposição enzimática para pacientes com a NP Tipo B e essa terapia já estão sendo utilizada em alguns países do mundo. No Brasil, ela ainda não foi licenciada pela ANVISA/MS. Acredita-se que ela tem funcionado como estabilizadora dos efeitos negativos da doença. O apoio ao paciente Para apoiar todas as pessoas afetadas pela doença Niemann-Pick, no Brasil, foi criada, em 2010, a Associação Niemann-Pick Brasil- ANPB Associação Niemann-Pick Brasil- ANPB que reúne familiares e amigos dessas pessoas com o objetivo de lutar pelos seus direitos e de buscar, acima de tudo, a melhor qualidade de vida enquanto esperam pela cura da doença . A ANPB tem sede em Curitiba e conta com a sua diretoria formada por familiares de pessoas com a doença que residem em diferentes regiões do Brasil. As principais atividades da associação são: • congregar profissionais de saúde que se dedicam a tratar da sintomatologia da doença, reunindo-os com as famílias dos pacientes para disseminação de informações e orientações relativas aos cuidados essenciais com relação a esses pacientes; • prestar assistência jurídica à pessoas que necessitam de ingressar com processos judiciais para acesso aos medicamentos de alto custo • estabelecer interface com associações congêneres para reivindicar, junto ao governo e a sociedade em geral, a atenção e o tratamento igualitário para todos a pessoas com doenças raras no Brasil . Texto elaborado por Maria Helena de Magalhães Dourado Vice- Presidente da Associação Niemann-Pick Brasil-ANPB. Referências Cartilha “ O Que Você Precisa Saber sobre a Doença Niemann-Pick Tipo C” da Associação Niemann-Pick Brasil- ANPB, elaborada por Maria Helena de Magalhães Dourado com revisão do conteúdo médico feita pelo geneticista e pesquisador Phd Dr. Charles Marques Lourenço. Doença Niemann-Pick Tipo B – texto encontrado no site do Niemann-Pick Disease Group UK. Contato: Rua Atalaia 1448 – Colombo / PR – CEP: 83.410-100 – Fone: 41- 3078-7041 -– www.niemannpickbrasil.org.br

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